Quixotes



Quixotes” inspirado no universo de Cervantes traz para os dias de hoje o mundo dos pícaros, dos malandros que nada tem de seu exceto sua astúcia, sua graça, sua habilidade, que traduzimos pelo ator, pelo saltimbanco, pelo artista de circo, o contador de histórias, o cantador. Nômades que não querem restringir sua liberdade e para ganhar a vida cantam, dançam, jogam, lêem a sorte, trapaceiam, iludem e roubam o espectador do seu cotidiano árduo e sem poesia. Saltimbancos, Sanchos, Dulcineias e Quixotes brasileiros, de todas as cores, crenças e classes; assim nos sentimos, assim representamos e, talvez por isso mesmo, assim continuamos. Os loucos como fontes de luz, nos falando verdades que embora ditas por metáforas, podem ser entendidas claramente, às vezes de modo engraçado, outras vezes com muita simplicidade e ainda outras de modo dramático e tocante.
A dramaturgia foi realizada de forma colaborativa desde a armação do roteiro até a finalização. Os textos eram organizados a partir das improvisações dos atores, que por sua vez eram estimulados pelas sugestões dos dramaturgos, do diretor e de toda a equipe de criação, que também sugeriam transformações nos textos e vice versa.
No século XVI os escritores ibéricos passaram a se preocupar com a aproximação entre a escrita e a fala, eles tinham a intenção de dignificar a língua falada e livrar a escrita de artificialidades exageradas. Essa busca pela popularidade nos estimula a produzir um Dom Quixote encenado em palcos, praças ou ruas reunindo as características de síntese e universalidade necessárias para atingirmos o objetivo de comunicabilidade com pessoas de diferentes origens, etnias, sexo, classe, idades, etc. Por essa ótica pretendemos criar um espetáculo que comunique de forma oral, musical e plástica, com elementos do circo, teatro, dança e música inspirados pela cultura popular brasileira.
Em 2009 um dos maiores cervantistas do mundo, professor doutor Rogellio Minaña, reconheceu a obra dramatúrgica como sendo uma das melhores adaptações que teria lido por representar a essência do clássico para o teatro, conforme relata em seu livro Monstros que Hablan.
Na difícil tarefa de seleção de trechos da obra original demos preferência aos episódios que nos possibilitam a exploração dos valores humanitários e suas relações de amizade e cumplicidade objetivando criação de identidade com os nossos dias e com a própria história de seus criadores.
A encenação propõe uma dinâmica que envolve o espectador na trama, a partir de trechos do texto original, adaptações, construções físicas e textuais, danças brasileiras, contato-improvisação e uma musicalidade que traz a tona a brasilidade dos vários “Sanchos” e “Quixotes” que moram em nosso país.
Nos tempos atuais encontramos no dia-a-dia “cavaleiros”, quase sempre solitários, que negam a realidade em busca de seus ideais e vivenciam as desventuras e desastres, consequências do desapego e da flutuação entre o imaginário e o real.
 
Ficha Técnica
Duração: 60 minutos
Classificação: Livre
Direção: Mário Bolognesi
Dramaturgia: Andréia de Almeida
Preparação Corporal e Danças Brasileiras: Beto Teixeira
Preparação Vocal e Cantos do Brasil: Juçara Marçal
Trilha Sonora Original: Mauricio Mass
Iluminação: Sérgio Soler
Técnico de Som e Luz: Gabriel Draetta
Adereços: Cida Ferreira
Figurinos: Daniel Ortega e Acácio Abreu de Oliveira
Elenco: Andréia de Almeida e Luciano Draetta
Técnico de Som e Luz – Alejo Linares

fotos: Rafael Pilleggi


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