Cartas



“Cartas” é um espetáculo de circo-teatro que apresenta as inquietações dos artistas por meio de cartas, gestos, habilidades circenses e coreográficas com o uso de acrobacia em dupla, malabarismo, trapézio, tecido, lira e dança. Esta obra evidencia o processo de criação artístico, as alegrias, angústias, inspirações, a capacidade de vivenciar as próprias emoções e oferecê-las para o mundo em forma de arte.
A montagem, dirigida por Roberto Rosa, traz à cena a corporeidade das habilidades circenses como o elemento fundamental na construção dramatúrgica. Elaborada a partir de ações físicas e colocada em cena por meio de performances acrobáticas, a dramaturgia de “Cartas” apresenta o resultado do contato dos artistas-criadores do Circo Navegador com a vida e a obra de Vincent Van Gogh.
Contrapondo-se aos espetáculos biográficos, “Cartas” expõe o inevitável debate do artista consigo mesmo, fazendo uso de diversas paletas que misturam a apreciação das telas de Van Gogh e os treinamentos de técnicas circenses aos tons pessoais extraídos dos momentos de dúvida, angústia e prazer vivenciados durante os processos de criação. 
Alguns momentos na vida desses personagens, que vivem cada um em seu espaço/mundo e se encontram nos sonhos, ajudam a contar os conflitos da vida de todos os artistas. As ações das personagens no espaço e no tempo indicam a estrutura narrativa em forma de mosáico que retrata os prazeres, conflitos, desejos e realizações dos artistas em seus processos criativos. Trata-se de uma dramaturgia altamente visual, que não faz uso da palavra falada e está apoiada nas ações físicas e execução de performances acrobáticas que mostram a história dos personagens e suas relações com a fonte de inspirações e criação das cenas: as “Cartas a Theo” e as pinturas de Vincent Van Gogh.
A poética do espetáculo estimula as sensações e preocupa-se principalmente com o impossível e com o intangível, capazes de fazer florescer camadas mais sutis no e do ser humano que é tocado pela obra artística.
É missão dos artistas tratar das subjetividades humanas: dos sonhos e desejos, do prazer e da alegria e dos fantasmas que povoam o nosso inconsciente. Nesse espetáculo os personagens demonstram a coragem e as dúvidas acerca do “salto sem rede de proteção” que é criação, o artista em constante processo, se reelaborando em busca do inusitado e da transformação do impossível em possível, do invisível em visível. 

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