Cine Navegador #7

Quem Realmente Somos

Data: 20/11/2017
Horario: 15:30
Local: R. Mansueto Pierotti, 826

Telefone: 12 3892-2589

Preço: Grátis





No feriado do dia 20 de novembro o Circo navegador apresenta uma programação GRATUITA mais que especial!

A programação conta com a presença do Paulo (diretor do filme), do Mestre convidado Roxinho e dos Mestres da Escola Capoeira Angola; Noel e Dominguinhos; E começa com uma roda de capoeira as 15h30 e as 17h exibiremos o documentário "Quem Realmente somos", que mostra a jornada do Mestre Roxinho e do diretor do filme Paulo Alberton numa escola australiana com um grupo de jovens africanos refugiados. No final, há espaço para troca de diálogos


Sinopse crítica do documentário feita por Diego Brunner:
“Talvez o título do documentário de Paulo Alberton já seja seu primeiro grande achado. Uma afirmação ou uma pergunta? Não importa muito, mas ali está contido quase tudo que precisaremos entender acerca dessas imagens. Roxinho é um mestre de Capoeira Angola – um estilo de capoeira mais próximo das tradições e raízes africanas – nascido na Bahia. Imigrou para Austrália para ensinar capoeira para jovens negros africanos, refugiados de seus países devido às condições políticas, sociais e econômicas.
A figura de Roxinho, o personagem central na qual a câmera de Paulo se apoiará para contar essa história, é a encarnação do afro-brasileiro compromissado com suas raízes. Sua relação é de um compromisso extremado, na melhor tradição da luta dos oprimidos. Ele não está lá apenas para ensinar capoeira, ele está ali para criar consciência política em jovens que já estão inseridos num processo de assimilação de outras culturas, processo no qual a própria cultura africana começa a ser deixada de lado em prol de uma guinada no olhar e no comportamento. Guinada essa que visa principalmente a cultura norte-americana, na figura do rap. Esse primeiro – e bastante problemático – embate dará a tônica da relação historicamente contraditória e complicada entre mestres e alunos.
Em determinado momento, vendo a imagem de um Roxinho que sofre ao sentir o desrespeito do seu aluno é impossível não pensar nas relações de educação no Brasil de hoje. E aqui cabe um parênteses. O sofrimento de Roxinho – e de tantos educadores – é não compreender como o oprimido acaba, em determinados momentos, querendo se transformar no opressor, antes mesmo de se libertar daquela condição. Uma relação profunda que só se transforma no processo de luta, de embate, de esclarecimento e comprometimento. (...)
Quem nós realmente somos não é apenas uma afirmação (ou pergunta) retórica, é um questionamento profundamente filosófico. Uma sentença da qual todos nós um dia vamos ter que dar conta. E a maneira da qual sairemos disso se dá na forma de como ganharemos a consciência dos olhos atentos. Consciência essa para termos a clareza necessária sobre em quais mestres (e aqui não pensando em pessoas, mas sim em ideias e atitudes) vamos depositar nossas esperanças mais intrincadas.”
 

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